Escritores degenerados & Ilustradores prostituídos, num tein?

quinta-feira, agosto 16, 2007

"Nº 2", por Protásios Terrificus.

Festa movida à cerveja barata e maconha. Sempre povoada por minúsculos burgueses com discursos decorados, reproduzidos e coroados por eles mesmos. Quando muito, inspirados em notas de rodapés. Pseudice cega. Lugar onde o Punk (de butique) e o Heavy Metal (mesmo que “Noo”) são filosofias comuns entre a juventude vestida de preto. A gurizada se divertia balançando a cabeça entre um trago e outro de qualquer coisa. Rótulos eram muitos, ainda suspensos, multavam de boca em boca beirando a pós-modernidade, como diria um amigo.

Mas até que não era tão mal assim. Ninfetas beijavam-se para adequar-se a moda. E todos os olhares incentivavam isso. Qualquer um gostaria de pegar as gatinhas juntas, ora bolas!! Afinal de contas, eram jovens demais pra resolverem-se assim tão cedo!

“Punks”, chegavam em seus Toyotas, Hondas, de quando em vez, pilotado pelos pais, variadas vezes. Um bocado grupos formados por pessoas falavam sobre samba, sexo, seda, sangue, São Caetano. Falavam sobre futebol cinematográfico, bossa nova e haxixe... enquanto as menininhas continuavam a encher os olhos dos marmanjos.

Particularmente, sempre achei bonito duas garotas se pegando com vontade. Essa auto-suficiência sexual feminina deixava minha libido à flor da pele - pensava e observava enquanto Gusmão amarrava os cadarços.

Estava lá plantado observando, como de costume, eu e Gusmão, um velho amigo de infância. Ele, principalmente, não costumava freqüentar lugares barulhentos, escuros e com banheiro imundos como aquele, mas queria se libertar.

- Que tetéia! – diz Gusmão, referindo-se a uma gatinha que passava, tentando ser mais jovem do que aparenta.

Dava pra perceber que Gusmão tentava não parecer impressionado com tanta novidade. Nunca foi um bom mentiroso. A música era muito alta, o cheiro da cerveja derramada misturava-se ao cheiro do mijo, o que exalava um odor específico, típico, próprio, diria até necessário para tal lugar. Lugar povoado por cabeludos balançando a cabeça de forma sincronizada. Eu tentando trocar impressões com Gusmão em meio as seqüências de pedaladas duplas e palhetadas contínuas que brotava de um enorme P.A. ao lado.

Mangüerbes, uma banda de Americana, interior de São Paulo tocava alto... Inacreditavelmente os dois vocalistas na linha de frente berravam mais alto ainda. Lembro-me bem, era uma banda que soltava o verbo para cima do então presidente da república, FHC. Estávamos próximos a Capital Federal, talvez por isso, oportuno... pelo menos pra excitar a legião de adolescentes que empolgava a cada “Fernando Henrique filho de uma cadela!”, ou “ FHC vem aqui mamar nas minhas bolas, reacionário de merda!”.

- Onde fica o bar? Vou buscar uma cerva. Minha boca está seca - disse Gusmão, tentando impressionar mais uma vez.

Fiquei encostado numa coluna enquanto esperava o chapa voltar. Estava com uma sensação de riso constante na face. Nesse momento a banda parou de tocar porque o vocalista ficara cada vez mais empolgado em xingar a mãe de FHC. O público gritava em coro a cada “Filho da Puta!”, “Porco capitalista”, “ New Liberal!”, essas coisas.

Um segundo vocalista, que ficava um pouco mais ao fundo, dava a impressão de estar transtornado, não sei se fazia parte do show ou era cocaína... ou as duas coisas. Sei que mais do que de repente, o cara veio correndo em direção ao público e deu o mais extravagante ‘mosh’ que já vi. Lembro de tê-lo visto em câmera lenta. O cara pairou no ar, flutuou lindamente com o peito estufado, os joelhos dobrados para cima como pára-quedista, os olhos eufóricos passavam segurança a medida que ele se dis - tan – ci - ava do pal - co... quando os roqueiros que estavam em frente ao palco abriram espaço formando um clarão no meio do povo. Ação típica dos desenhos animados.... A partir daí a cena voltou a sua velocidade normal, o cara flechou o chão duro e molhado de cerveja e sola de sapato. Esparramou-se desajeitado e barulhento.

Como se toda essa movimentação fosse ensaiada, a banda ligou os amplificadores e disparou um novo rife, para caiar... as pessoas se aglomeraram outra vez em frente ao palco e o cara (de tacho, para quem conhece a expressão), meio tonto, com uma das mãos na cabeça e outro nas costelas, sorriu amarelo e subiu ao palco outra vez.

Foi o bastante para eu ficar agitado, sorria sozinho, chapado de maconha e pinga quando, mais súbito que a cena que acabara de presenciar, chega Gusmão, pálido e aflito:

- Você tem que me ajudar!
- Calma, o que houve? – pergunto assustado.
- Estou com uma vontade insuportável de cagar!

Dei uma risada aliviada, achando se tratar de um problema mais sério.

- É simples, vá ao banheiro.

Com uma cara aterrorizada, Gusmão grita:

- Não dá, porra!!!!! Já fui!
- Qual o problema com o banheiro?
- Não tem paredes nem portas, só um vaso no canto, à vista de todos que passam por lá... Porra, não estou agüentando!!!! Estou desesperado, vou cagar nas calças!!!!

Não foi difícil perceber que não se tratava de uma brincadeira, e o que parecia um problema simples de se resolver me fez quase tão preocupado quanto o próprio Gusmão. Quando chegamos os dois no portal do banheiro que media mais ou menos uns dois metros de altura por três de largura, sem portas, sem divisórias, sem nada. As pessoas passavam às dezenas em frente a casinha estranha. Quem entrava, fazia fila para usar o único vaso, exposto e sozinho ou mijava na parede mesmo, proporcionando uma lagoa amarelada e espumante no chão do lugar. Até sugeri que fossemos embora, mas Gusmão não agüentou.

- Faça o seguinte: fique na minha frente fazendo uma parede enquanto eu alivio...

Não deu nem tempo de responder. Quando percebi, já estava de frente para Gusmão e de costas para o mundo. Com as calças na canela e as mãos no joelho, Gusmão encontrava-se numa posição muito engraçada, não sentava no vaso que estava exageradamente sujo. Ficava meio curvado e mirava seu cu que soltava rajadas continuas direto na água do sanitário.

Quem passava, mesmo comigo na frente, não podia deixar de perceber o que acontecia. Logo um grupo de pessoas parou e ficou assistindo o nosso show aparte, comentando tudo, com gargalhadas extravagantes e enormes dedos apontados em nossa direção.

Quando Gusmão voltou seus olhos para mim, com uma cara nitidamente mais aliviada e um sorriso discreto no rosto, pensei ter acabado tal peregrinação, que passava a ser minha também, quando:

- Não tem papel! – disse Gusmão, mais calmo.
- É fácil. Limpa com a cueca, ora bolas.
- Não uso cueca... mas você usa! – exclama Gusmão com um tom sugestivo.

Ele olhou pra mim como uma criança que olha pra mãe na loja de brinquedos.

- Nem pensar, sem chance, vamos embora e depois resolvemos – disse a ele.
- Por favor, estou todo cagado... Rápido, minhas pernas estão com câimbra. Você tira a calça e me passa a cueca. Enquanto eu estiver limpando, você já estará vestido novamente.

Relaxei os ombros e sem pensar muito fui tirando a roupa e passando a cueca para o cagado. A essa altura, dezenas de pessoas disputavam um bom lugar para ver o espetáculo. Ficamos os dois pelados, um de frente para o outro, dentro de um lugar estranho, ele em sua posição curvada e eu com as calças no ombro.


6 Comments:

At qui. ago. 16, 05:02:00 PM, Blogger Festival das Flores de Cuiabá said...

kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

q kagada!!!

abs meu velho,

Claudinho

 
At ter. ago. 28, 01:25:00 PM, Blogger Guilherme N. M. Muzulon said...

Eo cu de bebado ressaqueado anda fodido de tao assado, né nao?

 
At ter. ago. 28, 05:13:00 PM, Anonymous Anônimo said...

isso tudo � pr�tica e altamente prov�vel.

 
At seg. set. 03, 12:07:00 PM, Anonymous Anônimo said...

putz. Prota. fochesatto tem total razão sobre o provavel.
mano véio. diga aí, voce deveria dizer em qual/como estado estava quando escreveu o texto.
até.
afonso alves.-

 
At ter. set. 04, 02:43:00 PM, Anonymous Anônimo said...

tenho lido coisas do velho safado...talvez seja isso.

 
At qui. out. 18, 03:26:00 PM, Blogger André Alves said...

Muito boa, muito boa. Ah, não que isso. Que merda, cara... hahahahaha

 

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