Escritores degenerados & Ilustradores prostituídos, num tein?

quinta-feira, junho 21, 2007

"Pet Sounds - Parte II", por Hélio Flanders.

Os primeiros passos que dei além da linha eu costumo de chamar de “primeiros estranhamentos”. Foi assim que descobri a loucura de Caroline. Voltando de uma viagem, confundi-me em pílulas, bíblia e fumaça. Achei que a presença de qualquer pessoa iria atrapalhar meu momento filosófico. Pedi para Caroline não me visitar mais, e eu faria o mesmo. Desta maneira cri poder criar em nós uma independência maior, pois não poderíamos chorar diante das coisas a vida toda. Porém, na terceira noite, recebo uma ligação de Ramon que me chama até o bar santo. Ao chegar, vejo minha moça vestida de camponesa e com o chapéu do dono do bar, em cima da mesa. Ela parecia dançar, era como se tivesse o diabo nos pés e sorria como eu jamais havia visto. O bar estava vazio, ela ensaiava uma conversa com Deus e eu jogava uma garrafa de cerveja no chão abruptamente. Ela olhou, sorriu e seguiu. Em menos de cinco segundos, jogou-se em meus braços e disse: - Agosto está chegando – enquanto fechava os olhos. Após dormir em minha casa por algumas horas, acordou e pediu perdão. Meu coração selado por mágoa tola a perdoou sem sinceridade. Eu estava abalado pelos livros e por vê-la crescida. Não podia suportar a idéia de sua liberdade. Logo olhei para trás, e ela trazia-me um bule com vinho dentro e xícaras marrons. Eu sorri sem perceber e em poucos dias estávamos no auge de nossas carícias e histórias doces novamente. O primeiro estranhamento real foi quando joguei o I-ching e minha visão escureceu. Quando consegui abrir os olhos deparei-me com o segundo estranhamento. Vi no calendário atrás da porta, já era Julho.

1 Comments:

At dom. jul. 15, 08:38:00 AM, Anonymous Anônimo said...

Hélio sounds...
gostei.

 

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