"Seis", por Pedro Acosta.
Eu falava pedregulhos;
ele respirava lâmina.
Tive medo por não sabê-lo em preciso,
não conseguir calcular sua espessura,
por a questão da cor de seus olhos tomar muito da minha atenção.
Quando havia palavra,
ela me roçava o ouvido rude,
resolvendo por outro destino de pronto.
Eu dizia quaisquer
e empilhava as frases em grupos de dez.
Empurrava-os para sob a cama, que subia catorze centímetros por
[minuto.
Pensei em dançar-me pra fora do quarto,
a loucura sempre convence,
mas meus dedos tinham conquistado senso de realidade aguçado.
E uma vontade de tambor.
Marchamos pra fora dali com a elegância possível,
quepes botas fardas amarfanhadas,
fomos pela janela do quintal e além,
até que grama me brotasse na garganta.

0 Comments:
Postar um comentário
<< Home