Escritores degenerados & Ilustradores prostituídos, num tein?

quinta-feira, outubro 05, 2006

"V-A", por Clarissa Oliveira.

Ao fechar os olhos, deparava-se com todos esses pensamentos estranhos e confusos. Tantas perguntas, e um emaranhado de pontos de interrogação flutuantes em néon (porque o néon sempre faz parecer mais importante)...
"Existe muito além do que se vê" disse, ao acordar. Primeiras palavras do dia, um tanto quanto aleatório, mas de uma veracidade fora do contexto. Ela sabia o que cada passo significava, ela entendia o que cada batimento seu queria expressar. Estava passando por um misto de sensações, mais uma vez.
Acordou e tomou um demorado banho. Daqueles que cada gota d’água purifica cada poro, e parece que limpa a alma, ah, a limpeza da alma... era tudo o que ela precisava, "shining and bright". Fazia tempo que não pensava tanto, e na verdade, preferia não pensar, não estava preparada para achar respostas. Tão aflita, tão ingênua, tão imprudente... Se ela pudesse descrever em palavras cada imagem que corria em sua memória, as mais belíssimas frases, os mais belíssimos poemas seriam transcritos naquele momento. "Por que as coisas parecem tão perfeitas quando lembradas?" – todos os defeitos vão embora, só as qualidades permanecem. Qualidades essas, que ela já não sabia se valiam de alguma coisa. Ela preferia ver só os defeitos. O pior, o mais sujo, o mais podre. O ângulo horrível, desfocalizado, desproporcional. Ah, mas a sua mente gostava de brincar. Pregar-lhe peças, era tão engraçado... e ela já se acostumara com essas situações.
Pois então ela saiu daquele banho quase que astral e resolveu seguir o rumo das coisas. Mas cada passo seu, era impelido por um único propósito. Essa sua história de entender... e o pior de tudo, é que ela nem tinha certeza do que precisava entender. A única convicção que tinha era que perguntas precisavam ser respondidas e respostas existiam...
Ela sentou em sua cadeira predileta, próximo à janela, acendeu um cigarro e começou a organizar os fatos. "vou ler Stephen King..." e riu sozinha. Se cada coisa fosse posta lado a lado, talvez uma lógica existisse. "que lógica, garota? Você sempre faz mais do inexistente". E aí, as perguntas voltavam. Ah céus, porque precisa tudo ser tão complicado? "nós complicamos. nós NOS complicamos, desde o inicio, e aí estão as conseqüências... "Mas no fundo, ela não tinha medo do que estava por vir. Apenas esse sufoco agonizante a assustava, essa dúvida, essa incerteza, o temor de tudo desmoronar... "tínhamos construído, porque colocamos tudo a perder?"
E fingiu não se importar mais.

1 Comments:

At seg. out. 09, 06:16:00 PM, Blogger Guilherme N. M. Muzulon said...

Além da limpeza, alma precisa se nutrir; Álcool abastece!

 

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