Escritores degenerados & Ilustradores prostituídos, num tein?

segunda-feira, outubro 23, 2006

"A saga noturna do Valentão Homem-Cova – Pt 1", por Max D.

Mais um sábado, teoricamente, como outro qualquer. Prometera a si mesmo logo que acordara – “Hoje definitivamente não vou arredar o pé de casa” – refletindo sobre o amargo gosto de água-ardente denunciado por todos os cantos da sua boca. Pôs-se em pé fronte ao espelho do banheiro, com a visão ainda meio turva, notou a maldita mancha de batom na testa de sua sarjeta face, qual parecia ter sido escarrada por Judas, sem pensar duas vezes lavou-a notando o cheiro pinguço da sexta-feira anterior, então percebeu que eram necessários pelo menos quarenta minutos sob o chuveiro gelado.

Pós-banho, sentou-se à mesa de varanda e prontificou-se a ler o livro de 134 páginas em tamanho convencional, formato de livro de contos que se guarda no bolso, já enrolara há sessenta e poucos dias para terminar de ler, mas sempre voltava ao início para lembrar-se do que a amnésia, peralta e brincalhona, tinha-lhe escondido. Passado certo tempo o telefone celular, que com a bateria fraca, teimante resistente aos toques insistentes, colocou o moço ao mundo real novamente, depois do breve cochilo durante a leitura, esse que se arrependera de ter abandonado, pois sonhava com a idéia que vira em uma foto com uma melhor amiga entre as pernas sorridentes como o par de bocas alegres das amigas na imagem em sépia.
Atendeu ao telefone com um mau humor notável, soando ao atender apenas algo como: – Hm, diga! – do outro lado da linha responde-se.
– Oi, meu “chapa”!! Tá muito ocupado aí?! – e tornou-se a responder com a típica carranca inicial.
– Estava, quem é?
– Seguinte, estou passando aí em 15 minutos ou menos, preciso que você me ajude com uma idéia que acabei de ter...
– Se me disser o teu nome talvez eu possa tornar sua idéia real, caso contrário vou desligar o telefone e voltar a fazer o que estava fazendo! – do outro lado da linha com um aperto no peito e um trancar de garganta, típicos de mágoa instantânea.
– Tu bebeu! Seu filho da puta! Troncho! Sou eu, ou há mais alguém com quem tem trepado por aqui?! Estou passando aí – e desligou o telefone na cara do homem-cova, deixando-o desperto de uma vez daquela seqüela alcoólica.

A campainha fez dois dings e um dong, em sinal de aviso ao homem-cova, de que quem estaria por detrás da porta não estaria com um humor de bomba-de-chocolate, olhou pela fresta da janela do andar superior e notou que a saudosa garota estaria num dia daqueles de “Teu Pau é Meu por hora e meia, e até logo!”, desceu a escada e colocou a chave na fechadura sem que ela notasse qualquer ruído, planejando abrir a porta para assustá-la, já que estava de costas... O ranger mais do que rápido da porta de metal com vidros fumes, e – PAFF!!! – a quase moça lhe entregou em domicílio um tapa rápido e quente, na fuça esquerda.

– Ow, qualé?! Tá louca!? Puta que pariu, porra!
– Isso é pra dá próxima vez que você sumir por mais de três dias com o telefone desligado, lembrar-se de hoje! E ao menos mandar um e-mail, ou no mínimo responder meus e-mails!
– “Toma no cú”, caralho! Te disse que iria viajar, tu tá fumando o quê? Crack? Se tiver fumando essa porcaria, tu vai pro tronco até largar o cachimbo, porra!
– Sem piadas, eu to falando sério! Tu só vê risada onde não deve e depois quer chorar no meio de uma piada, é impressionante esse teu raro sarcasmo! Por onde andou hein?
– Que “mané-sarcasmo”, e depois desse tabefe, você não merece nada, olha aí, porra! Os vizinhos do lado viram a tua gracinha, eu poderia ter jogado você dentro desse carro, cuspido meu pigarro no pára-brisa e ter de mandado embora, que ainda teria razão!
– É, e não me jogou porquê?
– Por que só faço isso depois que você me der um cigarro destes aí – apontando para o bolso da blusa de botão, fácil para se notar por baixo da blusa os seios livres de sutiã e mediamente volumosos.
– Fuma essa “joça”, eu sei que você não me mandaria embora dessa maneira, mas não muda de assunto e me conte tudo dessa tal viagem! – relevando a parte de mandar a formosa garota morena de cabelos sedosos e ondulados, portadora da dupla de pernas mais apetitosas que vira desde a última noite, ou parte dela presente em sua memória, ele responde:
– Contar o quê? Não há o que contar, eu fiz o que tinha que fazer e voltei, nem mais, nem menos...
– Ah, fala sério! Você com o celular desligado, eu duvido que não tenha rolado nenhuma birosca qualquer com aqueles teus amiguinhos canalhas, pra pelo menos tirar o pó da garganta...
– Isso é um fato, como sempre, mas não entendi o porque de você estar os chamando de canalhas!
– Ah, não vem ao caso, tô com fome, trouxe coisas para fazermos o almoço aqui na tua casa...

Desembarcaram os mantimentos do carro e durante o preparo da comida até o sono-de-bucho-cheio conversaram sobre a semana, ela sempre querendo saber sobre a viagem e ele sempre se esquivando.
Acordou o moço com a boca, da quase moça, tocando-lhe o pescoço, ela lambendo na região da jugular e acariciando sobre a bermuda, o membro do quase ex-homem-cova. Ele notou que já era noitezinha e puxou-a cima dele, já na fricção do ato, treparam durante duas horas e pouco, a garota solfejando em mono cor e pálpebras fechadas toda a saudade que sentira pelo talzinho durante a viagem... A ex-moça notou tardiamente que já não era tão cedo, tinha saído do trabalho e não retornara a casa onde morava com os pais, vestiu-se e notou que o rapaz não estava na cama, desceu as escadas e viu ele dormindo no sofá com um pequeno livro aberto sobre o peito.

– Hey, acorda!
– Hm?!
– Acorda, toma um banho, vamos sair... Tenho um aniversário pra ir... – sem pensar muito o re-homem-cova, subiu e lavou o corpo semilimpo do pós-coito. No carro logo após saírem e passar na casa dela para que trocasse as roupas azedas do ofício, ela pergunta inspirando o feromônio presente no carro:

– Porque você puxou com tanta força o meu cabelo? Agora estou com uma puta dorzinha na nuca! – ele prestando atenção no que tocava no rádio, Chico Buarque sendo executado numa versão ridícula, dessas regravações de novos cantores escolhidos em programa de auditório – Tu tá surdo? – fazendo com que ele voltasse atenção a ela.
– Ah! Cabelo, sim, ficou legal o corte, mas acho que esse lance de cortar cabelo da nuca, sei não, é estranho, mas é legal... Bom pra fazer cafuné! – finalizando com um sorrisinho safado.
–Ai, meu Deus. Tu tá doidão hoje, hein?! Perguntei por que diabos tu foi puxar meu cabelo tão forte, eu disse que minha nuca tá doendo!
– Hm! Sem chiliques, puxei porque deu vontade e tu parecia estar gostando, quer fazer reclamação? Passa no R.H.
– Deixa de ser grosso!
– Grosso?! Tu me deu um tapa, depois trepamos e eu só puxei o teu cabelo e te fiz gozar, e eu sou grosso? Quisesse eu ter gozado com aquele tapa, valeria a pena pelo menos...
– Como assim “valer a pena”?! Tu tá querendo dizer o que com isso?!
– Ah, de novo!? Vai começar o blá blá blá pseudo-dramático! – o carro parado no semáforo, o rapaz olha pro lado e grita pro lado de fora – Com vocês o blá blá blá de hoje, estrelando o tema: “vale mesmo a pena?” Venham! Venham todos escutar!!! – tornou os olhos fronte à face da moça, deu-lhe um beijo e disse:
– Meu bem, mil desculpas, mas hoje não estou com saco pra blá blá blá. – abriu a porta do carro e desceu em sentido contra mão, a avenida lotada de carros, 23:43h marcando no relógio de esquina, a ex-moça não teve opções e tocou o carro em frente, retornando minutos depois ao início da peleja, mas não encontrou o homem, notou que no banco de passageiro estava o celular do homem-cova, estacionou o carro e voltou-se à si em pensamentos, “ele vai ter que me procurar pra pegar o celular...”, vasculhando nas pastas de armazenamento do celular, notou que foram apagadas todas as mensagens enviadas e recebidas, e também todas as ligações.

Em plenos 45 minutos do segundo tempo o homem-cova decidiu voltar para casa e retomar a promessa que fizera naquele despertar de pinguço, aguardando pelo último ônibus de sábado à noite, esperou por 35 minutos quando o saudoso apontou na cabeça da subida incline que parecia em mártir tentar desafiá-la, deu sinal para que o motorista fizesse a manobra de embarque, que filhadaputamente acelerou o bumba quase vazio e deixando-o para trás xingando o vento esfumaçado do monstro da noite, decidido ao retorno para sua casa fria, resolveu tomar um “moto-táxi”.
Duas quadras aproximadamente do ponto de motos, parou em uma esquina para que o carro atravessasse a rua, e a noite do cabra começara com os dois pés esquerdos, o playboy passou pela valeta, com água corrente dos chuviscos de fora de época, jorrando aquela água suja, dando-lhe um banho e lavando a camiseta bege recém comprada numa dessas liquidações de loja de grife mediana.
Inconformado com tamanha peça que o diabo, ou deus, estivesse lhe aplicando, pensou em quanto dinheiro havia dentro de sua carteira cheia de... Extratos de banco, a maioria de débitos de cartão... Percebeu que possuía R$12,00 e algumas moedas barulhentas no compartimento de moedas, decidiu – “compro cigarros, bebo uma cerveja depois pego o maldito moto-taxi” – abraçando a velha dita popular “tá na merda, faz de conta que é chocolate e come!” adentrou enfim uma banca de revistas e jornais localizada em frente ao mais popular bar e restaurante da cidade, daquele tipo que talvez nunca irá falir, abre de segunda à segunda, é freqüentado por todo tipo de gente, famílias, homossexuais em busca de flertes, políticos, casais enamorados, amigos celebrando a boemia... putas de folga, garotos de programa, doidões e etc... Reconheceu no interior da banca uma daquelas “junkiezinhas” com quem tivera um caso rápido, comprimentaram-se e conversaram um pouco quando derrepente uma outra garota aborda a junkiezinha e lasca-lhe um beijo na boca, dando a entender que queria demarcar o território...
– Oh, conhece a “Tilt”? – o rapaz ainda tentando cair em si, responde.
– Não, olá tudo bem?! – extasiado com o ato e com a beleza urbana das moças, que pareciam ninfetas de site modelo suicide girls...
– Oi! – respondeu a penetra com a cara fechada.

Conversaram ali mais um bom tempo, e Tilt, cujo nome na verdade era Telma, alguns chamavam de Telzinha outros mais por dentro do currículo da ninfeta chamavam-na apenas por “nossa”... Voltando a fita. Tilt faz um convite ao homem-cova.
– Aí, ta rolando um sarau na casa duns amigos nossos, ta a fim de cair pra lá? Cê tá indo pra onde?

4 Comments:

At sex. out. 27, 02:10:00 AM, Anonymous Anônimo said...

Ficou bacana e interessante... mas merece mais partes....digo, menos extenso ?

 
At ter. out. 31, 04:52:00 AM, Anonymous Anônimo said...

Max, D+.

 
At seg. nov. 06, 05:55:00 PM, Anonymous Anônimo said...

é uma "saga".

 
At seg. nov. 06, 05:55:00 PM, Anonymous Anônimo said...

obS.: de 2 partes.

 

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