"O peso de sentir! O peso de ter que sentir!", por B.M.

"Ensolarado. Olhos espremidos do tempo em que ela era outono. Sempre achou singelo o modo como as folhas mudavam de cor, amendoeiras amareladas, marrom, secas.
Usou um chapéu de feltro no dia em que se esbarrou nele, com ele, para ele. Alter-ego incrédulo. E o tempo passou e então ele dizia sobre a forma que ela arrumava a barra da saia, cuidadosa, cautelosa. A-tencio-nada.
Um vento cortando o peito descoberto e ele deitado sem camisa na ponta esquerda da cama, sua constelação de pintinhas nas costas nuas. O lençol amarrotado de afago, cumplicidade.
No dia em que se conheceram ela ficou primavera, assim de correr flores pelas veias, um florescer contínuo. Do mesmo jeito que ele parou de ter esse olhar distante, como quem procura alguma coisa lá longe.
Deram-se as mãos e passaram a ser.

4 Comments:
Sentimentalismo barato. Lírico, só isso.
NÃO VAI ATUALIZAR ESSA BOCETA?
Bonito.Apenas quem vive essa coisa piegas de ser primavra que sabe o que é ser verão.Bonito sim.
esse puto foi gozar la no rio , e esqueceu de atualizar esta merda!
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