"Celofane", por Clarissa Oliveira.
Não tento parecer banal. Fora de minha realidade, sobrevivo como uma caricatura em sépia, rondando bares e tropeçando em esquinas. Quando volto a mim, percebo-me a conversar com todos os autores gregos que habitam aquela estante no lado esquerdo da sala há quase meio século. Não que eu esteja ultrapassado, simplesmente saturei da mesmice. Todo esse refinamento, tanto zelo, torna-se tão desnecessário que me faz sentir raiva a ponto de fechar os olhos e apagar. E esses dez segundos de inconsciência fazem com que eu enxergue um filme de minha própria vida e aí sim percebo o quanto fui inútil. Juro que meu problema não é o clichê (devia ter visto mais vezes o pôr-do-sol, apreciado mais flores, sorrido mais) não. Isso eu ainda posso consertar. Mas quando vejo o quanto fui patético em 90% das ocasiões, me deprimo. Principalmente por saber que isso não vai mudar daqui para frente. Estou fadado a ser patético.
Meus olhos inchados começam a lacrimejar, mas não vou ficar aqui me lamentando enquanto sinto o chão frio sob meus pés. Cansei de toda essa história, vou voltar ao meu mundinho medíocre, amém.

1 Comments:
Sim, fadado a ser patético.
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