"Conversa interna", por Renata Marques.
Dias atrás: amigos, filmes, almoço, faxina de leve, feira, TPM, irritação, DJ Dolores. Dias a frente: menstruação, planejamento, viagem (astral e rodoviária), cartas, Carnaval, muito trabalho, e ainda têm aula de direção. Hoje quem me habita é a historiadora, vasculhando o passado para entender o agora e o futuro que não passa.
Essa pressa pelo o instante seguinte, de onde vem? Pq corre mesmo sem saber em direção seguir? Quem vai guiar os passos? Onde encontrar a Rosa dos Ventos? Como calar esse choro preso na garganta? Com quem compartilhar a risada escancarada? Em que espaço? Onde está o limite? Quem foi que desenhou?
Olha em volta e o que vê são muros cinzas com arame farpado. O lugar está frio e gelado. A racionalidade e o pensamento hora/produção atordoa. Já não sente as horas passar. Entra e sai das salas trancadas sem janelas e nem percebe o dia cair, só quando o preto da noite já toma conta do céu.
Já não olha as estrelas, quando levanta a cabeça encontra apenas fumaça vermelha num céu negro e janelas acesas. A cabeça não para de pensar.. pensamentos paradoxais que sempre terminam com a exclamação "é!" de quem afirma e se contradiz.
São onze horas de uma quarta-feira de fevereiro que ainda não é "de cinzas" do Carnaval. É cinza da cor dom concreto que ilha o abstrato. È cinza pálido da cor do jornal envelhecido e também cinza grafite, de onde brota o diamante.

3 Comments:
vamos conversar mais, renata.
nem li.
É!
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