Escritores degenerados & Ilustradores prostituídos, num tein?

segunda-feira, junho 26, 2006

"Uma das prometidas virgens", por i. bê. gomes.

E daquela fuligem luminosa surgiu um Diabo em proporções reduzidas e com asas angelicais – como aquelas consciências que surgem nos desenhos animados. Ele chegou junto do meu ouvido e ameaçou sussurrar algo, mas ficou por uns minutos de boca aberta, meio que esperando as palavras perdidas nas cáries saírem para me dar um opíparo Bom dia.




Quando enfim ameacei virar a cabeça para encará-lo, ele estalou os dedos e outros Diabos anões voadores como ele pipocaram no ar. Traziam cordas e cadarços, e me amarraram os pulsos e os tornozelos. Foi então que o primeiro Diabo – o líder, supus – disse olhando para as minhas nádegas:




aspas Vais ser feliz, minha filha. Feliz! aspas




Eu estava esperando o abuso diabólico, com direito a máscaras pretas e chicotes e beliscões, o mais puro clichê dos quartos dos infernos. Mas nada aconteceu. Eles ficaram me observando com a respiração pausada e profunda. Por um instante, tive a esperança de que apareceria um anjo anão, também como nos desenhos animados, que iria me dizer que aquilo era errado e tudo mais. Talvez ele até insistisse para que os Diabos pequenos parassem o que estavam prestes a fazer.




E o tal anjo de rodapé realmente apareceu. Porém ele chegou atrasado, e quando apareceu, já estava com o seu respeito machista ereto e latejando. O prazer líquido do seviciar escorreria entre minhas pernas – ou mesmo no meu rosto, como naqueles filmes de amor que as locadoras deixam escondidos. Sem me dizer Bom dia ou cousa que o valha, levantou minha saia, puxou de lado a calcinha e enfiou o seu respeito em mim com um riso besta.




Anestesiada pelo espanto, resignei-me a tentar sentir prazer naquela situação vexatória. Foi difícil, mas eu consegui dominar meu asco, assim como aquela na qual jogavam pedra e bosta o fez ao se entregar ao dono do Zepelim prateado.




E depois dos movimentos repetitivos e dos urros, o anjo anão gozou em minhas costas – durante o ato ele rasgara a minha blusa para tocar em meus seios floridos. Terminado tudo, disse ele se apoiando em minhas costas com a voz ofegante:




aspas Pronto, estás batizada. O reino dos céus te espera, minha filha. Vais ser uma das mil virgens prometidas aos homens-bomba. aspas




Eu era a jovem virgem auto-sodomizada pelos cornos de minha própria castidade. E Dali para conhecer Deus foi um pulo.







Antes, é bom saber disso




Entrei apressada para não esquecer da desculpa que teria que dar ao chefe bundão. Provavelmente ele já estava em minha mesa, marcando um quatro por quatro com um dos pés para demonstrar pressa ou cousa assim. Enquanto eu caminhava para o meu pasto cinza, ia tentando arrumar a saia que insistia em lamber minhas coxas. De longe vi o superior. Decidi parar e olhar para cima como que para pedir ajuda divina e esconder a minha chateação pela iminente saia justa.




Foi quando tudo aconteceu.





Vi que havia tampas de panelas no teto. Achei bonito demais para ser verdade. Como eu não tinha visto aquilo antes? Era tarde: a loucura já batia em minha nuca. Eram toques leves, gente de fora querendo atestar o vazio, a sanidade capenga que condena. Percebi que meu chefe se aproximava em câmera lenta feito ator em filme que o Silvio Santos alardeia como sucesso. Fiquei nervosa, muito. Estendi a mão e ignorei o aviso: NÃO PUXE ESTAS TAMPAS. SÓ EM CASOS DE EXTREMA URGÊNCIA.




Puxei uma com a delicadeza que o meu mal de Parkinson momentâneo permitiu, como que para eu mesmo não me assustar. Achei que cairia a sopa primordial, células tronchas e arcaicas num caldo quente; mas não, estava eu enganado. Vi escorrer apenas uma luz que morria aos poucos. Ela se rastejava para todo e qualquer pedaço de escuridão visível a fim de mendigar sombras e vultos.




Era uma espécie de torneira luminosa, com fios brilhantes e perdigotos que me orvalhavam de forma escusa e preguiçosa. Mas as pernas permaneciam velhas, ruças e gastas e doloridas. O restante do corpo era aos poucos salpicado de luz, mesmo eu exibindo nos seios o stencil do abandono: escuridão. Era eu uma galega de pernas pretas, um saci louro com prótese e sem cachimbo e com o gorro em fiapos caindo pelos olhos.




Reparei atenta aquele incêndio de fisionomia infantil. Era bonito deveras. E eu já não sabia onde estava. Mas eu me sentia de alguma forma perdida entre a tentação de Santo Antônio e o sonho causado pelo vôo de uma abelha ao redor de uma romã. Eu estava prestes a ruir.

3 Comments:

At qua. jun. 28, 08:38:00 AM, Anonymous Anônimo said...

dá-lhe i. bê.

 
At sex. jun. 30, 12:54:00 AM, Anonymous Anônimo said...

putaqueopariu.

 
At sex. jul. 14, 09:26:00 AM, Anonymous Anônimo said...

prestes a ruir. nessa altura do campeonato, definitivamente, já era.

só ahcei forçado a parte do silvio santos. no mais muito foda

 

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