Escritores degenerados & Ilustradores prostituídos, num tein?

segunda-feira, junho 26, 2006

"A redenção de Sara", por Tiago Muzulon.

A festa estava incrivelmente monótona. Os convidados cercavam a mesa como convivas da santa ceia, e comiam e bebiam e falavam inutilidades dos mais variados gêneros e sentidos. Eu fazia parte como quem assiste e interfere o mínimo, ela, Sara, a bela da noite era quem atraía minha concentração.

Acompanhava um pulha chamado Fábio. Talvez o sujeito até fosse um bom alguém, mas o fato de estar com a delícia da Sara o tornava um estrume. Invejava-o com todos os poderes que a inveja me permitem. Ele era o homem dela, daquela delícia. Certamente era o homem que a havia tirado da virgindade. Descoberto e rasgado o acesso às suas entranhas entre pêlos pubianos e gemidos doces de menina nova. Sara era intensamente meiga. Daquelas que me fazem imaginar o sabor de morango que certamente flui de seus pentelhos pubianos.

Eu tomava vinho e ousava. Sara me respondia com palavras pretensiosamente indiferentes. Era um jogo, soubemos desde o início, exceto Fábio, o pulha.

A janta demorava e Fábio, seguro de que sabia cozinhar melhor, se precipitou ao fogão e tomou conta da preparação excluindo as mulheres que o faziam com suas mãos delicadas. Meu pênis intumesceu com o olhar de soslaio que Sara me dirigiu enquanto seu homem lhe virava as costas. Foi um olhar que conseguiu a proeza de concentrar todas as devassidões mundanas, celestes, e infernais em um só segundo, comprimindo-os num feixe de visão, num piscar descuidadamente verdadeiro e subjetivo. Fixei-a firmemente e ela mudou de direção. No entanto, a partir desse momento, soube que Sara queria ser minha.

Certamente ela sentia náuseas quando trepava com Fábio, pois era o típico sujeito gordo, esbugalhão, porco e displicente. O tipo de homem que mantém suas mulheres à força. Não à força bruta, mas à força mental e ao terror psicológico que aplicam em tais damas devido ao fato de terem sido os primeiros a adentrarem suas saliências introspectivas. As mulheres do interior ainda respeitam muito isso, e tendem a fazer todos os esforços para não quebrar a corrente de quem as iniciou. Porém, na maioria das vezes, o peso acumulado ao longo do tempo sobrepuja a tradição e o moralismo restringente.

Sara rogava libertação. Queria saber do mundo e das cores e sabores de outros cacetes. Tinha aquele ponto indefectível que revelava toda a ternura maliciosa que continha. Éramos cúmplices vinte minutos após Fábio ter se retirado da mesa.

Jantamos, tomamos os digestivos e então convidei Sara para rodar. Os homens todos se distraíam na antesala da casa do meu amigo ouvindo Chopin e discutindo Proust. Eu e Ela reinávamos ainda na cozinha; exaustos pela janta mas fervorosos para o por vir.

De sopetão me levantei e a puxei pelo braço até o lavabo que se escondia em uma portinha no canto da cozinha. Era apenas o espaço para uma pia com um armário, um espelho e um pendurador de toalhas. Lacrei a porta e a joguei contra a parede oposta. Sem delongas Sara grudou suas mãos delicadas de unhas não-esmaltadas em todo o pacote volumoso que crescia dolorido em minhas calças. Ele criava vida e se transformava de inchaço para uma longa, grossa e poderosa broca de escavar entranhas meladas de néctar como a da Sara.

Num piscar de olhos sara me engolia com tanta veemência e devassidão que me senti como deus, o libertador, o criador de vida. Sara antes era uma menina insípida e entediada, e então com meu cacete em sua boca se tornava uma mulher vibrante.

Meu gozo foi interrompido pelo estrume bastardo de merda do Fábio batendo na porta em busca de sua mulher. Ela interrompeu o ritual sagrado de exaltação à vida e me olhou petrificada. Gritei com voz bamba de quem está lasso de forças: Sara não está aqui. O homem acreditou e continuou a percorrer a casa em busca de sua meretriz.

Juntei-a pelos cabelos e a ordenei que continuasse. E assim fez sem hesitar. Lambusei seu rosto branco de péle suave com o leite da vida. Gozei como nunca fizera antes. Cinco, seis, sete, oito, quinze espasmos consecutivos como nunca vistos. E Sara se deliciava com o sabor férreo e poderoso de meu esperma.

Limpou-se, saiu do banheiro, encontrou seu homem e lhe disse que havia ido passear. Fábio replicou que era mentira, pois alguém a vira entrar no lavabo comigo. Olhou para mim com fogo e desandou a espancar sua vadia real. Todos se fizeram indiferentes e assistiram ao espetáculo sem remorso.

Fábio lhe arrancava grunhidos verdadeiros de dor junto com medeichas castanhas de seu couro cabeludo e sangue e péle e pudor. Surrou-a tanto que ao final Sara retribuía as bofetadas com frases pungentes sobre a verdade masculina deturpada de Fábio: É um homem de merda; tem os segundos contados para gozar; nunca me fez ejacular senão aquele prazer ligeiro do começo; é um porco detestável; pulha; sinto nojo de você com todas as suas perversões abjetas; nojo das vezes que me pede para enfiar meu dedo em seu cú; nojo das vezes que me pede para lhe pisotear, nojo dos filmes pornográficos gays que me faz assistir contigo; nojo da sua falta de virilidade e das chupadas intermináveis que preciso empreender para levantar esse verme decadente e falido que carrega entre as pernas.

Fábio sentiu vergonha dos amigos com quem há pouco discutira questões deletérias e se retirou cabisbaixo. Sara chorava aos gritos e contorções. Uma amiga, Letícia, tentava a acalmar. Eu, como estava hospedado na casa de meu amigo, subi ao meu quarto para ler Fante e abandonei toda a cena, indiferentemente ileso de toda a situação.

No outro dia de manhã acordaria com o livro de Fante jogado na cabeceira e Sara encolhida ao meu lado, como uma flor murcha e ressecada.

2 Comments:

At qua. jun. 28, 08:25:00 AM, Anonymous Anônimo said...

essa aí vai pro zine.

 
At qua. jun. 28, 11:05:00 AM, Anonymous Anônimo said...

Com cerveja. Mas "Para sempre eternit" não deve e nem pode faltar.

 

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