Escritores degenerados & Ilustradores prostituídos, num tein?

segunda-feira, maio 15, 2006

"Ninguém liga para Letícia - bande bácoro chagui" por Caio Mattoso.

Ele era um bufão, um separatista fadado a senilidade e a própria onomatopéia de outras revoluções.
Nunca foi um oligarca, muito menos um nacionalista, odiava o totalitarismo e toscanejava com a ignorância.
Quando falava, seu semblante fixava-se como um torso na memória, no tempo de vários na antecâmara à espera de ouvi-lo, exsudando em calor daquela alma.
Seu nome era Túlio Cuspão, o louco, enlouquecido após cometer uxoricídio.
Já na insanidade cunhava o nome da sua mulher no tormento do seu silêncio. Ele se tornara ignoto pelos mais próximos, pela igreja, pelas ruas e manchetes de jornais.
Sua mulher se chamava Letícia Amora, trabalhava como serventuária no centro da capital. Ela tinha o sestro de não lavar as partes intimas do seu corpo, na época em que ginecologia era quase imoral.
Eles se conheceram através do amigo em comum, o arrivista Clóvis, que por acaso era o criador do primeiro antibiótico nacional.
Túlio se tornou um criador de pintassilgo, no fundo do quarto onde morava, após a justiça conceder liberdade acompanhada de tratamento psiquiátrico, vitória jurídica concebida pela troca articulada por seu advogado, toda a riqueza acumulada de Cuspão.
Túlio Cuspão deu ponta pé inicial na comunicação com objetivo comercial, a publicidade, antes inexistente. Para mostrar seus pássaros utilizou a serigrafia para imprimir os primeiros cartazes que imaginamos. Assim como Clóvis, ele fazia parte da fertilidade criativa de sua época.
Túlio tinha um braço direito que se chamava René Soares, que tomava a frente dos negócios, basicamente pela descredibilidade emocional do seu patrão. René não tinha um dos braços.
A sorte de Túlio foi Letícia não conhecer ninguém de sua árvore familiar, sua morte não incomodara ninguém, mas havia um amor esconso, um romance secreto.
Seu amado se chamava Tarso de Plastic, um artista desconhecido da cidade em que moravam.
Tarso era extremamente recatado, nunca falava alto em público, a não ser quando tomava licor em demasia. Quase ninguém o conhecia.
Os anos se passaram e essa pequena história não transformou-se em muito mais que isso mesmo.
As personagens vivas tiveram fins parecidos com exemplos atuais da nossa geração.
O mundo em que vivemos continua a mesma porcaria em suas devidas proporções.
Nada muda a não ser a tecnologia de viver, até as grandes transformações continuam a refletir os mesmos modelos de antigamente.
Me parece que a ciência da organização está mais popular.
Milhões de pessoas continuam da mesma forma, capital, desejo, necessidades básicas e entorpecimento.
É uma merda, uma merda, odeio pensar assim.

6 Comments:

At ter. mai. 16, 05:50:00 PM, Anonymous Anônimo said...

bem-vindo ao planeta guerra.
te desafio para um duelo, mattoso.
escolha as minhas armas.

 
At qua. mai. 17, 02:35:00 PM, Anonymous Anônimo said...

haha, te dou a liberdade atômica, escolha o lugar então!

 
At qua. mai. 17, 02:36:00 PM, Anonymous Anônimo said...

huhuhu
vou preparar um release, isso precisa ser televisionado.

 
At qua. mai. 17, 07:29:00 PM, Anonymous Anônimo said...

bande bacoro chagui, movento da perna estendida e levantada em movimento circular de dentro pra fora.

vem q tem fochesattão

 
At ter. ago. 01, 09:01:00 AM, Anonymous Anônimo said...

gaga gargalhadas...

 
At sáb. nov. 21, 12:47:00 AM, Anonymous Anônimo said...

Sim, provavelmente por isso e

 

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