Escritores degenerados & Ilustradores prostituídos, num tein?

sábado, maio 13, 2006

"Despertar", por Carolina Capellani.

Quem a visse naquele dia, poderia achar que estava louca. Principalmente aqueles que não se contentam em ver felicidade do outro (ainda mais sem motivo aparente). Mas os que ainda conseguem sentir o coração alheio, diriam que ela é linda. Sim! Ficariam encantados com a pureza que emanava. Uma simplicidade há muito não vista. Até difícil de se encarar. Nesse dia, sem explicação alguma, estava linda... Simples, solta. Caminhava leve pelas ruas que nunca tinha visto igual. Sorrindo tão genuinamente, com tanta pureza, que as pessoas que cruzava não conseguiam deixar de lhe sorrir. Era contagiante! Quase que dava pra tocar naquela alegria que vibrava em todos os seus membros. E se sentia tão bem, tão estranha a si mesma... Como se não se conhecesse, como se nunca tivesse visto nada daquilo, tivesse acabado de acordar de um sono profundo de desde a infância, acabado de nascer, e se deparado com aquele mundo pela primeira vez. Estava encantada! As cores, o céu, aquele azul... Quantos tons! Os sons, as folhas, as pessoas... Como eram curiosamente diferentes as pessoas! Não se cansava de admirar tudo, cada coisa. Vivia cada segundo intensamente. Como se fosse parte dela. Gozava de uma alegria ingênua, verdadeira, que brotava de dentro, fazendo-a tremer ligeiramente dos pés á cabeça. Levando-a, a um riso incontrolável, mas natural. Nada naquele momento importava: família, casa, trabalho, filhos... Se é que tinha algo assim. Não pensava nisso. Não pensava em nada! Cada segundo daquele dia, era uma novidade gostosa, um prazer que a fazia esquecer o segundo anterior. Pois o que via agora, era-lhe mais fascinante. E assim, se sentia desde as sete da manhã, quando abriu os olhos e se deu conta que nunca vivera nada daquilo. Como se jamais tivesse visto aquele ambiente. Tudo era novo. Tudo era estranho... Emocionantemente estranho! E sem nem trocar de roupa, foi deixando se levar por cada momento, se divertindo em ver, tocar, sentir, cada coisa nova que via. Até atravessar a porta e se deparar com um parque de diversões infinito! Regozijava por dentro! Borbulhava. Podia sentir todo seu corpo vibrando, pulsando. O sangue correndo nas veias, a respiração... Tudo era seu! E ela sabia dar por isso muito bem! E gozar disso. Sem nem pensar nisso. Tinha vontade de pular, correr, gritar... E fez tudo. Sempre maravilhada com o que se passava á sua volta e dentro dela. Como tudo era agradável... Sutil... Delicado e forte! E assim passou o dia inteiro na rua. Andando, correndo, pulando, gritando, bocejando... Sem pressa sem destino. Às vezes se perdia observando o comportamento intrigantemente encantador das pessoas... Dos pássaros... Como eles voavam bonito!
Assim, o dia passou... Intenso. Uma vida. A noite chegou. Noite que a encontrou extasiada. Que a encantou mais ainda! Aquelas estrelas... Que vontade de tocá-las! Abraçá-las, comê-las! E foi-se deitando no chão pra poder apreciar melhor cada uma delas. Eram tantas... Só então sentiu como seu corpo estava cansado. Estava exausta. Um cansaço gostoso, acomodado. Ficou ali deitada, sentindo a intensidade do dia latejando em seu corpo, relaxando seus músculos. Deixando a brisa que passava vez-em-quando, tocar sua pele delicadamente. Ouvindo os diversos sons que soavam a sua volta. E aquelas estrelas.... Como era acolhedor olhar para elas! E assim, descabelada, descalça, do jeito que acordara; com um sorriso gostoso no rosto, adormeceu naquele chão.
Com a certeza não dita que quando acordasse, voltaria ao sono profundo que é a nossa cotidiana vida.

1 Comments:

At seg. mai. 15, 04:25:00 PM, Anonymous Anônimo said...

tem moral da história.

 

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